segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Naufrágio da Caroline em 1901

Foto do encalhe do Caroline na meia-broa antes de ser destruído pelo mar

Pelas 23 horas do dia 3 de Setembro de 1901, em plena cerração, a barca francesa de 4 mastros Caroline encalhava "inopinadamente numas pedras, rombando e ficando com a borda quasi na superficie do mar".
Numa porção de mar que o Capitão Louvet viria a saber, mais tarde, ter o nome de Mar da Meia Broa, uma estreita língua de mar entre a costa e as águas pouco profundas junto aos ilhéus do Canal, algures entre a Areia Larga e a Madalena do Pico, perdiam-se assim milhares de toneladas do precioso salitre que tanto era necessário na adubação das terras da Europa do novo século.

Meia-broa, local onda repousa a Caroline

Firmemente encalhada, a barca ficara à mercê do mar dos Açores. Rapidamente, os 36 homens da tripulação abandonaram o navio, ajudados pelas primeiras embarcações que os socorreram, as duas lanchas dos Chatinhas, que a bordo levavam Christovam de Serra e José Pires Terra, dois elementos locais que prontamente indicaram aos náufragos o lugar em que deviam desembarcar. Logo na manhã do dia 4, as autoridades locais e o capitão da barca verificaram que a Caroline estava completamente perdida, embora se conservasse "impassivel, apenas com a ré abatida. Assim sendo, foram dadas ordens para que no posto fiscal da Areia Larga fossem armazenadas as "bagagens magníficas, viradouros, cabame, etc., pertencentes ao Carolina".
Com efeito, o navio tinha todos os "aprestos em excellente estado e o seu interior n’ um grande luxo. Participando activamente do processo de salvação, os srs. Viceconsul francez, tenente Martins e empregado aduaneiro Adriano Ramos faziam na fronteira um optimo serviço na remoção dos pertences do navio no entanto, apezar de toda a fiscalização, acabaram por ser roubados de bordo do Carolina vários cabos, etc, o que levou a que, na villa da Magdalena houvessem algumas prisões pelo motivo de roubos, ainda que insignificantes, praticados a bordo".
De acordo com o comandante da barca, a causa do naufrágio foi "o este ter julgando-se entre as Flores e Fayal conforme o indicara o chronometro de bordo, que depois se achou irregular. O vigia não pudera também prever terra proxima, em vista do vento não deixar ouvirse o sussurro do mar na costa, e tambem pela cerração que se manifestava em terra".
Alguns opositores do regime então em vigor acharam que houvera desleixo na instalação do tão prometido farol dos Capelinhos e concluíram mesmo que aquele desastre marítimo se tinha devido "ao desleixo do governo em não ter, no seu tempo, mandado pôr nos Capellinhos a respectiva lanterna, que iluminava a gente do mar nas suas rotas por noites de cerração".
Na sua maioria bretões, "naturaes de S. Malot, Lourient, etc., a tripulação do Caroline embarcou no dia 6 de Setembro para a ilha do Faial, não sem que antes, ainda no Pico, dois marinheiros embriagados se tenham esmurrado valentemente, puchando um d’ uma faca". Na manhã do dia 7 de Setembro o rebocador portuguez Condor, procedente de Ponta Delgada, entrou no porto da Horta, "depois de estar algum tempo ao pé do Carolina, na costa do Pico, nada tendo tentado em vista de tornar-se impossivel safar aquelle navio". Quatro dias depois, a 10 de Setembro, um temporal que se abateu sobre o Pico quebrou a barca ao meio, abatendo todos os aparelhos.
O mau estado do mar ocasionou o desaparecimento por completo da barca, submergida para sempre na profundidade dos mares. A arrematação dos seus restos realizou-se na vila da Madalena no dia 16 de Setembro de 1901, ficando com o que estava submergido uma sociedade sob a direcção do Sr. Manoel Rodrigues Ferreira, pela importância de 315$000.
(Curiosamente, um dos marinheiros sobreviventes, de apelido Pedron, viria a sofrer um novo naufrágio nos Açores, quatorze anos mais tarde. Com efeito, o então imediato Pedron naufragou com a barca Bidart construída em 1901,  pelos estaleiros navais Chantier Nantais de Construction Maritime, de Nantes às 4.30 da madrugada do dia 25 de Maio de 1915 junto aos rochedos do Lugar da Cachoeira, na freguesia da Fajã Grande, Flores, a cerca de 50 metros de terra. Pedron, que iria brevemente casar e assumir o comando da Bidart, sobreviveu ao seu primeiro naufrágio nos Açores mas não sobreviveu ao segundo)
A Rota do Salitre
A Caroline era uma barca com o casco em ferro, de quatro mastros, armando pano em clipper. Construída em 1896 nos estaleiros navais Ateliers et Chantiers de la Loire, de Nantes, a Caroline tinha 97,86 metros de comprimento, uma boca de 13,71 metros e um calado de 7,74 metros, com uma tonelagem bruta de 3011 e liquida de 2376 toneladas.
Lançada à água em Maio de 1986, a barca entrou ao serviço da companhia Ant. Dom. Bordes et Fils, sob o comando do capitão C. le Bras, fazendo a Carreira do Salitre, entre o Chile e a França, através do Cabo Horn. Em 1900, o capitão Louvet assumiu o comando da Caroline, tendo feito com ela duas viagens a Iquique. No ano de 1900, a Caroline foi extremamente regular no seu percurso, tendo levado tanto à ida como à volta 74 dias de viagem.
A Ant. Dom. Bordes et Fils era, à época, uma das maiores empresas de importação de nitrato de sódio do Chile. Juntamente com o alemão Ferdinand Carl Laeiz, Antonin Dominique Bordes controlava o mercado europeu de adubos, graças a uma frota 68 navios, adquiridos entre 1877 e 1814. Criada em 1877, a empresa Ant. Dom. Bordes atravessou a Primeira Guerra Mundial incólume, cessando apenas a sua actividade em 1926. Caroline deveria ser um nome significativo para a empresa já que, apesar de o nome não ter trazido boa sorte à barca do Capitão Louvet, em 1906 a companhia comprou a barca Muskoka também de 4 mastros, construída em 1891 – tendo-a rebaptizado de Caroline.
Restos do navio

Situados entre os 10 e os –8 metros de profundidade, exactamente em frente da Fábrica de Conservas da Madalena, a meia distância entre a linha de costa e o ilhéu baixo da Madalena, os destroços da Caroline apresentam ainda uma estrutura coerente. O seu lado de estibordo apresenta-se como o mais bem conservado, mostrando uma secção central com cerca de 55 balizas contíguas, unidas ainda à quilha e a parte da sobrequilha.
Curiosamente, a disposição original dos mastros da barca, submersos após a tempestade que a desarvorou sete dias após o encalhe, é ainda visivel. Com efeito, apesar da madeira que os compunha ter há muito desaparecido, ficaram ainda, alinhadas, as braçadeiras de ferro que uniam os mastros aos mastaréus.
Prato do navio com o logotipo da ADB

Fonte: Jornais "Telegrapho" Set/1901
Nota: Texto escrito como documentação da época

sábado, 22 de maio de 2010

Festas do Divino Espírito Santo




Arranque das Festas Maiores: O Espírito Santo. Para além do vai-vem constante dos navios da Transmaçor carregados de passageiros oriundos das ilhas circundantes e outros de visita ao Pico que tiveram de utilizar o Aeroporto "alternativo" (o de "lá"), também registamos a presença de Alemães e Ingleses com com os seus iates à vela.
Foto em 22.05.2010 (Sábado do Espírito Santo)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Resgate de Automóvel

Automóvel acidentalmente caído à agua no porto velho, na madrugada de 21 para 22 de Janeiro de 2010 e resgatado com o auxilio dos Bombeiros da Madalena. A viatura foi rebocada suspensa em balões entre o porto velho e o molhe comercial e retirada com o Guindaste da "Lotaçor".

Espaço Ambulatório do Cruzeiro do Canal

Neste momento faço um esforço para descrever o que me vai na alma... não consigo. É demasiado violento. Os utentes deste espaço são todos, obrigatoriamente, de cá.
Acreditem que a fotografia é bem mais colorida que a realidade. Raios partam a politica pois em 34 anos de autonomia a merda continua a mesma!

Gare Maritima

Gare Marítima do terminal de passageiros do Porto da Madalena. Bilheteira, Bar e confortável sala de espera, projectada para servir quem nos visita especialmente os de "lá". O mesmo não podemos dizer quando na outra margem esperamos o barco para regressarmos ao Pico... Enfim, já estamos habituados!
Foto em 19.05.2010

PONTA DOS ARCOS AO MAR

Descida do Atuneiro "Ponta dos Arcos" nos Estaleiros da Naval Canal para mais uma temporada de pesca ao Atum. Foto em 17.05.2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

VENEZA

Curiosa foto publicada na rubrica "Fotos da Semana" do Jornal Ilha Maior na edição de 7 de Maio de 2010. A imagem fala por si...

terça-feira, 11 de maio de 2010

O CANAL


Atlântico até onde chega o olhar.
E o resto é lava
e flores.
Não há palavra
com tanto mar
como a palavra Açores.

Pico 27.07.2006
Manuel Alegre

Mestre Soares

Com um design um pouco fora do habitual mas de construção portuguesa pela Nautiber-Estaleiros Navais do Guadiana, na foto a traineira "Mestre Soares" com registo em Vila do Porto, Santa Maria, atracada no porto da Madalena.
Foto em 11-05-2010

Os primeiros Iates

Panorâmica do porto da Madalena dia 10-05-2010 às 16.00 h. Na foto, o primeiro iate deste ano cujo Skipper "aventurou-se" a meter ferro por estes lados, apesar de todos os meios estarem do outro lado. Melhores dias virão.

Outras alterações do "Ilhas"

O Cruzeiro das Ilhas, ainda em estaleiro, continua a fazer o seu "upgrade". Para lá das novas cores, continua a apresentar novidades. Agora foi a vez de uma nova chaminé e um novo espaço fechado a estibordo destinado às cargas dos passageiros. Prevê-se o terminus destas obras de requalificação para o fim deste mês.
Foto em 10-05-2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Sr. Gilberto

Gilberto das lanchas, Gilberto do Pico ou simplesmente o Sr. Gilberto é sem duvida uma figura singular e incontornável quando falamos deste porto e deste canal.

"Estava ele a carregar a carroça de cestas e cabazes bem assinalados, ainda cheirando a linguiça e inhames frescos, enfiava nas algibeiras da froca, recados e pagamentos, e lá ia bem cedo em direcção ao porto. Passado o canto do Manuel Pereira, olhava o mar, parecia outro, estava um azul de encantar, os Ilhéus, um já estava de pé, enquanto o outro deitado, descansava de uma nortada de arrepiar o cabelo.
Entre um haja saúde e uma graça generosamente distribuida, lá ia um conselho a quem primeiro embarcava..." in A luz Vem do Basalto de José Carlos Costa

O primeiro centenário do nascimento do Sr. Gilberto Mariano da Silva comemorou-se a 15 de Fevereiro de 2009. A data foi assinalada com um voto de saudação, aprovado por unanimidade, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PHYSETER



Em dia de vento do quadrante Sul muito forte, esteve no nosso porto o Catamaran "Physeter" , com o registo H-89-AC, de 12,70 m de comprimento, capitaneado pelo experiente Skipper Norberto (natural desta ilha). Ligado à actividade do Whale watching, mergulho e passeios turísticos, o "Physeter" é uma moderna embarcação que oferece bastante conforto interior bem como diversas "plataformas" onde os passageiros poderão obter excelentes fotografias.
Na 3ª foto o empresário/armador Norberto.
Fotos em 03-05-2010

sábado, 1 de maio de 2010

Operação 2010 da "Picosport"


Whale watching, actividade que tem contribuído para a visita de inúmeros forasteiros à nossa ilha. Foto em 01.05.2010 de um dos barcos da firma Picosport a sair para a rota das Baleias.

O "ILHAS"

Ainda em estaleiro no porto da Madalena o "Cruzeiro das Ilhas" ostentando o seu novo visual.
Foto em 30-04-2010

PONTA DOS ARCOS

Atuneiro "Ponta dos Arcos" propriedade do Grupo Cofaco em reparação na Naval Canal, Estaleiros do Porto da Madalena.
Foto em 30-04.2010