segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As Obras do porto da Madalena - Ilha Maior (16.09.2011)

Está a decorrer a empreitada de construção das infraestruturas portuárias e obras de melhoramento das condições de abrigo do Porto da Madalena. Relativamente a este assunto muito tem sido dito e escrito. Vejamos se é possível esclarecer alguns mal entendidos. A obra, da responsabilidade do Governo Regional/secretaria regional da Economia, decorre em três fases: a primeira, no valor de 12,4 milhões de euros, já em obra, corresponde à construção do contramolhe oeste e à proteção do atual molhe norte; a segunda, no valor de 8 milhões de euros, em concurso, corresponde à construção do novo terminal de passageiros; a terceira, no valor estimado de 5 milhões de euros, será a construção do núcleo de recreio náutico, com capacidade para 96 embarcações, algumas de grande porte e calado. Da responsabilidade da secretaria regional do Ambiente e Mar decorrerá ainda a construção do novo núcleo de pescas.

A reabilitação do molhe principal envolve a total substituição dos Tetrápodes da cabeça por blocos Antifer de 300 KN, o reforço e alteamento, numa extensão de 230 metros, do perfil de proteção emerso do molhe, trabalhos de reforço do molhe cortina e, ainda, o fecho do muro marginal e proteção do enraizamento. O contra-molhe é uma estrutura destacada e orientada a Norte, situado em frente às piscinas, constituído por prisma de enrocamento e manto de proteção com blocos Antifer de 300 KN. Ambas as obras foram submetidas a ensaios no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, tendo-se revelado estáveis e eficazes no que respeita ao abrigo proporcionado.

No que diz respeito à segunda fase, o objetivo é dotar o porto da Madalena de um novo terminal de passageiros e, simultaneamente, reorganizar, através da forma da sua implantação e das obras marítimas a ele associadas, a relação urbana entre os diversos elementos existentes, a vila e o mar. O edifício do terminal estendese paralelamente à frente urbana da vila e liberta-se da terra, configurando a relação a Norte com um novo e amplo parque de estacionamento que se arruma em posição estratégica, servindo o novo terminal e a vila e constituindo-se simultaneamente como filtro distanciador em relação ao cais comercial. A implantação do edifício define igualmente um pequeno jardim, de caráter intimista, virado à nova bacia, desenhando assim uma nova Praça da Madalena, palco principal das suas festas e novo átrio de receção para quem chega à Madalena por mar. O edifício abriga a Praça relativamente ao mar e configura a sua abertura para Sul e ao Porto Velho, que se mantém intocado. E descansem, porque a obra não tapará a vista para o Canal. O edifício do novo terminal é desenhado como uma galeria entre a terra e o mar com uma cobertura com 112x25m, sustentada por uma malha quadrangular de pilares de secção quadrada (com 0,95m de lado e 4,45m de altura), recedidos cerca de 4 metros em relação ao seu limite. As paredes, ora pouco opacas ora muito transparentes, distribuem-se, como cortinas, por entre os pilares, separando e articulando os diversos espaços que constituem o terminal. A partir do corpo principal da galeria estende-se uma cobertura até à pontecais com 14x35m.
Alguém questionou: “Mas se o porto da Madalena é assim tão decisivo, o que lhe falta para cumprir bem a sua obrigação?”. Convictamente, respondemos — sem entrarmos nas discussões estéreis e inúteis de alguns, até porque não deixaremos de concretizar as obras indispensáveis para o Pico, apenas e só para não termos de os ouvir — que ao Porto da Madalena falta justamente o que está projetado, em concurso ou já em obra.

Artigo de Lizuarte Machado e Hernani Jorge, Jornal Ilha Maior (16.09.2011)

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