sexta-feira, 3 de março de 2017

No cesto da Gávea - por José Decq Mota



A FORÇA DO MAR QUE POR VEZES NOS FRAGILIZA

A 2º feira de Carnaval de 2017 ficará na memória das populações destas ilhas, especialmente do Pico e do Faial, pelo facto do mar do Norte, com uma força muito invulgar, ter causado largos estragos na Madalena do Pico e muito especialmente no seu porto.
Não houve vitimas nesta situação de catástrofe inesperada, mas houve largos prejuízos materiais, sendo de salientar as avarias de acentuada dimensão que o molhe principal do porto da Madalena sofreu. Este facto, em si mesmo, provoca necessariamente muitas preocupações na generalidade das populações das ilhas do Pico e Faial.
É preciso perceber que a ligação marítima entre estas duas ilhas, feita várias vezes em cada dia do ano, é absolutamente essencial. São mais de 400000 passageiros por ano que circulam, por muitas razões, entre os portos da Horta e da Madalena. A vida económica e social destas duas ilhas é muito dependente dessa ligação que é multi- centenária. 
Está fora de duvida que este foi um fenómeno não previsto pelos modelos de previsão da agitação marítima que são usados e é aceitável considerar-se que a violência das ondas é o principal responsável pelas avarias no molhe da doca da Madalena. Se o fenómeno tivesse sido previsto teria sido possível salvaguardar alguns barcos e equipamentos, proteger melhor alguns edifícios, condicionar o movimento do porto antes da 11H30, evitando o risco que o “Mestre Simão” correu saindo do porto enfrentando, sem alternativa, a arrebentação, mas nada se poderia fazer quanto ao molhe.
Recordo que em tempos recuados, nos anos 50, houve o chamado “rombo da doca” da Horta com um temporal de SE e mais recentemente e sem ser exaustivo, lembro que o porto das Lajes das Flores e o da Praia da Vitória tiveram avarias de dimensão apreciável. Estamos perante uma força, a força do mar, que muitas vezes nos fragiliza!
Agora tem que se olhar, sem delongas, adiamentos ou outros expedientes dilatórios para a recuperação urgente da normalidade no porto da Madalena.
Hoje, 24H00 escassas depois da catástrofe, já pôde haver viagens para a Madalena, depois de verificada a operacionalidade das áreas de manobra, mas é preciso não esquecer que o molhe principal está partido em vários pontos e muito provavelmente fragilizado noutros. Ontem à tarde, estando ainda o porto da Madalena a ser batido pelo mar, a Atlântico Line, sociedade anónima de capitais públicos, resolveu, e muito bem, que a viagem da tarde se fizesse para Sta Cruz das Ribeiras, na costa Sul do Pico e a 25M da Horta, evitando haver quebras na ligação entre as duas ilhas.
A normalidade da vida destas ilhas em todas as vertentes obriga a que as obras no porto da Madalena sejam feitas com a mais alta prioridade, quer pelas necessidades operacionais que são óbvias, quer pela segurança de toda a navegação que utiliza aquele porto. Preparar projecto, seleccionar empresas, concentrar equipamentos, assegurar financiamento, tudo isto não se faz de hoje para amanhã, mas tem que começar de imediato, para ser feito no mínimo tempo possível, decidindo-se, de forma assumida, dar prioridade a esta obra.
A normalidade da vida das populações do Pico e do Faial está muito dependente da normalidade desta ligação marítima. O mesmo sucede com o desenvolvimento do turismo que obriga a que exista uma operação intensa e segura.
Neste contexto espera-se das Autoridades Regionais uma acção imediata, intensa e racional.
Assim o exige o nosso desenvolvimento!
28/2/ 2017
José Decq Mota
(Artigo a publicar, a 3/3/17, no "Tribuna das Ilhas" da Horta)


Texto de José Decq Mota
Fotos de Artur Simões


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